A arte está em saber equilibrar a dose certa de radicais livres. Não podemos viver sem eles, mas não convém que se produzam em excesso. A dieta mediterrânea continua a ser o padrão com maior interesse nutricional e aquela que fornece os antioxidantes necessários durante todo o ciclo de vida
O envelhecimento é um processo integrante do desenvolvimento normal, que envolve alterações neurobiológicas estruturais, funcionais e químicas. Estas alterações são coadjuvadas por fatores ambientais modificáveis, que conglomeram a tríade dos hábitos alimentares, atividade física e estilo de vida, e são suscetíveis de determinar a qualidade do envelhecimento.
O envelhecimento celular está intimamente relacionado com a exposição dos organismos vivos às diferentes fontes oxidativas, em especial às endógenas, ou seja, as que são produzidas pelo próprio metabolismo. No decorrer dos anos, a exposição do organismo ao desequilíbrio entre a ocorrência de lesões e a produção de mecanismos de defesa, pode levar à perda de funções de proteínas importantes do metabolismo e ao consequente desenvolvimento de doenças, como o Alzheimer, a aterosclerose, a diabetes e alguns tipos de cancro.
Os radicais livres são substâncias químicas produzidas pelo organismo, resultantes de diversos processos metabólicos, sendo a sua formação derivada da metabolização do oxigénio. Quando em excesso no organismo, danificam as membranas das células, provocando a destruição dos ácidos gordos polinsaturados que as constituem, expressando este processo a peroxidação lipídica, que é suscetível de induzir danos nas células e até a morte das mesmas.
Até aos 30 anos de idade, o organismo dispõe de mecanismos eficazes de defesa, mas com o avançar da idade, essa capacidade de resposta defensiva diminui e a ação dos radicais livres torna-se mais facilitada. Constituem fatores precipitantes e impulsores, o estilo de vida contemporâneo, a poluição ambiental, a alimentação nutricionalmente empobrecida e desequilibrada, rica em gorduras saturadas e deficitária em vitaminas, minerais e oligoelementos. Para inibir os níveis de radicais livres, o organismo dispõe de sistemas de defesa antioxidante, que visam o equilíbrio entre a quantidade de agentes oxidantes e os antioxidantes, sendo que, o desequilíbrio neste balanço caracteriza o processo de stress oxidativo, que ocorre, quer por défice de agentes antioxidantes, quer pela produção excessiva de radicais livres pelo organismo.
O aumento da produção endógena de radicais livres é, em geral, estimulado pela necessidade de reforço do sistema imunitário e/ou consequente à exposição excessiva a fontes externas, como a poluição ambiental, radiações, tabagismo, alcoolismo e alimentação desequilibrada. Em condições normais são essenciais para o funcionamento do organismo, porém, quando em excesso, provocam danos nas células saudáveis, ao nível das proteínas, dos lípidos e do ADN, sendo por este motivo correlacionados com o envelhecimento precoce.
Um padrão alimentar rico em antioxidantes, associado à prática de atividade física regular, é determinante para a ação dos sistemas de defesa antioxidante e estratégico para prevenir o envelhecimento precoce, causado pelo excesso de radicais livres no organismo.
O reforço do sistema de defesa antioxidante através da alimentação constitui uma ferramenta eficaz no combate aos radicais livres, pelo que, a seleção de uma dieta variada, rica em frutas frescas, vegetais, gorduras polinsaturadas e pobre em gorduras saturadas, pode contribuir para a diminuição da produção excessiva dessas moléculas, minimizando assim, o risco de mutação celular associado ao envelhecimento. Sendo a ação dos radicais livres permanente no organismo, subsiste a constante necessidade de assegurar a sua proteção, através da ação de agentes antioxidantes que os neutralizem e que permitam a desoxidação orgânica.
Os antioxidantes são nutrientes presentes nos alimentos que previnem os danos causados nas células, ao inativarem de forma permanente a ação potencialmente destrutiva dos radicais livres. Alguns alimentos são considerados funcionais e dispõem de maior capacidade de proteção do organismo humano, por serem constituídos por compostos bioativos, como as vitaminas A, C e E, que possuem propriedades altamente antioxidantes e, como tal, ajudam a prevenir a ação nefasta dos radicais livres. Contudo, todos os alimentos possuem a função de fornecer energia ao organismo e participar diretamente como cofatores de reações metabólicas e, sendo ingeridos de forma equilibrada e harmoniosa, tendem efetivamente a contribuir para a prevenção do envelhecimento precoce e para o favorecimento da longevidade.
O padrão alimentar do tipo mediterrânico, caraterizado pelo elevado consumo de frutas, vegetais, cereais, leguminosas, oleaginosas, peixes, lacticínios, azeite e vinho, é considerado pela Organização Mundial de Saúde, como o padrão de maior interesse nutricional e preventivo. Fornecedor por excelência de agentes antioxidantes de elevada relevância para o organismo, como os betacarotenos, o licopeno e as vitaminas A, C e E, está diretamente associado à diminuição das taxas de incidência das doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, representa um fator preditivo para a diminuição da taxa de mortalidade por doenças metabólicas, e é considerado um fator determinante para a prevenção do envelhecimento celular e metabólico.
Um aporte energético equilibrado em macro e micronutrientes mantido desde a infância, garante o fornecimento dos antioxidantes necessários durante todo o ciclo de vida, dispensa a necessidade de suplementação nutricional e produz efeitos benéficos para a saúde, suscetíveis de diminuir a incidência de doenças crónicas. Garante ainda a preservação do colagénio, responsável pela resistência e elasticidade da pele, e retarda a formação da pigmentação cutânea caraterística do envelhecimento (lipofuscina).
A identidade alimentar, construída desde tenra idade, em harmoniosa consonância com o padrão alimentar mediterrânico e associada à prática de atividade física, caracteriza um estilo de vida suscetível de prevenir os desequilíbrios por excesso e por defeito, que contribuem para o stress oxidativo. O padrão alimentar, é assim, indubitavelmente, preditivo e determinante da longevidade, que conglomera a qualidade do envelhecimento celular, metabólico e cutâneo, e expressa a qualidade de vida, desde a infância até à velhice.
Nutricionista
Boa tarde, agradeço os ensinamentos, apesar dos meus oitenta anos ainda gosto de
aprender, ainda que tenha que consultar dicionário para ficar com uma ideia
mais correta da explicação, figurativamente os radicais livres e os antioxidantes travam uma luta constante no organismo humano, para que se equilibrar é minha obrigação seguir a dieta mediterrânea ? dado que sou diabético desde 30 anos e insulina dependente desde os 50 anos, tenho um percurso de carência alimentar para cumprir os parâmetros da visão, recentemente tenho um certo desequilíbrio quando vou passear á rua, em casa não tanto, será que tem a ver com dieta da diabetes? dado que tenho que controlar a diabetes, por causa da visão pois só vejo de um olho.
Será possível uma ligeira melhoria.
Agradeço atenção.
Cordialmente
Leonel de Jesus Martins Firmino
Bom dia Leonel,
A situação que nos expõe carece sempre de uma avaliação e parecer pelo médico especialista, em ambiente de consulta.
No entanto, é de referir que não há dieta para diabetes que prive o paciente de alimentos ricos em antioxidantes.
A sua questão, que tem em vista uma melhoria da acuidade visual, deverá ser analisada pelos especialistas de modo a este poder adequar a alimentação ao quadro clínico.
Não nos é possível responder com maior objectividade, já que não dispomos de informação suficientemente esclarecedora acerca do padrão alimentar que mantém e do seu quadro clínico.
Muito obrigado.
Uma boa prenda.
Muito obrigado
JCosta