É com eles que sentimos o mundo, no entanto, são eternamente esquecidos. Lembramo-nos que existem quando doem ou quando estão frios. De resto, este é um assunto para esconder

Raros são os casos das pessoas que gostam de exibir os seus pés. A maioria esconde-os. Seja porque são “feios”, porque existe um dedo torto ou tão só porque os calos teimam em ficar proeminentes. E, no entanto, é com eles que sentimos o mundo e é com eles que existimos, tal como somos. Passeamos, corremos, saltamos, subimos escadas, ficamos parados ou sentados, mas sempre com os pés assentes no chão. (exceção para o pino…)

Apesar desta enorme responsabilidade, os pés continuam a ser eternamente esquecidos. Lembramos que existem quando doem ou quando estão frios.

Claro que os tapamos ou protegemos com sapatos, botas e sapatilhas (ou ténis à maneira lisboeta…) e meias variadas. O design e a criatividade para o que se usa nos pés tem sido uma constante, como se houvesse necessidade de esconder e embelezar o que já por si é arquitetonicamente bem concebido para aguentar o peso e nos permitir sentir o mundo.

E, apesar dos sapatos de “marca” ou de supermercado e das meias, mais ou menos grossas, as queixas aparecem e, com elas, as alterações da pele:

Às alterações da pele, ainda teremos de somar as alterações nas unhas, aliás, uma das causas mais comum de consulta em ortopedia. A publicidade intensiva, principalmente a partir da Primavera, de múltiplas ofertas de cura para a micose das unhas, leva a que, pelo cansaço da manutenção do problema e, apesar das promessas milagrosas, o problema se mantenha e, normalmente, é nessa altura que recorrem à ajuda médica.

A micose das unhas é um problema muito comum e, se a situação se prolonga no tempo, será necessário alguma paciência, até porque todos os produtos publicitados são ineficazes até à remoção mecânica da unha doente. Uma remoção que terá de ser repetida até que a unha cresça completamente sã e, regra geral, isso acontece sem que seja necessária a extração da unha.

Mas este não é o único problema das unhas. Ainda deveremos acrescentar a infeção e o encravamento dos bordos, uma situação que é urgente tratar, pela dor que provoca e pela incapacidade de usar calçado, mas também a unha espessada e alterada (muitas vezes associada a micose) e a unha aumentada e deformada, que provoca uma dor intensa. Neste último caso, a situação pode estar a ser provocada por um tumor glómico ou exostose sub-ungeal da falange e o tratamento terá de ser cirúrgico.

Mas, repare, se os pés são a base de sustentação do nosso corpo e se lhe damos trabalho durante inúmeras horas, não deveríamos compensá-los com cuidados especiais? 

Apesar de a pele dos pés ser mais resistente e mais espessa, por comparação com a pele de outras áreas do corpo, isso não impede que a sola ganhe calosidade. Por isso a importância de esfoliar e hidratar.

Note que o uso de sapatos apertados e pouco arejados (para além do salto alto) promovem o aparecimento de calos, que mais não são do que uma reação da pele ao atrito. Mas se já chegou a um ponto em que não consegue evitar a dor de pés, sugerimos que consulte um especialista e sim, a ortopedia também tem esta subespecialidade específica, para os pés.

Gabriela Figo
(Médica Ortopedista; OM n.º 15260)

Uma resposta

  1. "…se os pés são a base de sustentação do nosso corpo e se lhe damos trabalho durante inúmeras horas, não deveríamos compensá-los com cuidados especiais? "
    Sem dúvida, Dr.ªGabriela!De facto,em geral,não lhe damos o devido reconhecimento:eles comunicam bem estar ao corpo e ao espírito nas caminhadas que fazemos por prazer ou necessidade!Eles são os inseparáveis no trabalho que carece de locomoção!Deles depende muito do nosso desempenho,em sentido lato!Por isso,bom calçado deve ser prioridade!Por,último,permita-me,quando lhe for oportuno,aborde o tema:como atenuar de modo eficaz,os incovenientes,do problema que decorre daquilo a que habitualmente se chama pé plano(pé chato).
    Muito obrigado.
    Boanerges Botelho de Melo

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